ESPIRITUALIDADE AGATHEANA

A CONTEMPLATIVA

Esposa sempre unida ao Amado, sempre a escuta de sua vontade, em um de seus retiros, Me Agathe faz uma homenagem ao Espírito Santo, pois deseja seguir suas santas inspirações e reparar sua pouca docilidade em segui-las. Quanta sensibilidade, percebemos, em suas palavras! O quanto desejava, constantemente, total união com Deus, que desejava ardentemente, que nenhuma interferência de fora  viesse impossibilitar-lhe, de estreitar sempre mais, os laços de união com o seu Amado.

O retiro é sempre uma ocasião para reformar a vida, quando já se tem clareza do chamado de Deus para um estado de vida específico. Nos retiros espirituais, por meio de seus escritos, adentramos facilmente, no espírito contemplativo de Me Agathe, que com sua sensibilidade, deixava-se conduzir pelo Espírito de Deus, escutando sua voz em profundidade e sentindo em seu ser, o que Deus queria dela. No início de um de seus retiros, ela deixa claro, por meio das anotações de suas orações, o quanto Deus traçava com ela todo o seu projeto de vida:
“Deus me criou. Deus me chamou ao Cristianismo. Deus me chamou à perfeição no Cristianismo. Deus me chamou ao estado religioso.”
(Escritos Espirituais, p. 196)

Eis a seguir, alguns pontos, aos quais ela se refere, em suas anotações de retiros, que clareiam ainda mais, para nós, a profundidade de sua relação com Deus. Ela de fato, contemplava Deus, falava com Deus, sentia Deus, ouvia Deus:

1 – O pecado: “À noite, senti muita coragem e esperança de que na Sagrada Comunhão, o bom Jesus me esclarecesse, a fim de que eu pudesse conhecer meu defeito dominante, ver e empregar os meios para corrigir-me. Desejo tanto ir a Ele!”(Esc. Esp., p. 197).
3 – A salvação das almas: “Sinto que devo azer tudo e tudo deixar pelas almas... Estou como sempre, pensando, com Jesus Cristo, na salvação das almas...  Se algo merece ser tido por grande na terra, é o oferecer sacrifícios pelas almas.” (Esc. Esp., p. 201)

4 – Jesus Crucificado: “Vi Jesus cravado na cruz. Seu olhar era tão doloroso e tão terno. Ele me perguntava se eu o amava. Respondi que sim. Estava com o coração partido, vendo-O tão sofredor. Pouco a pouco Ele me disse: é por você que eu sofro.” (Esc. Esp., p. 202)
A pobreza de Jesus: “Gosto sempre de vê-Lo tão pobre. Não sei dizer o que acho disso, mas admiro nessa pobreza de Jesus, no desprezo que teve a tudo que reputamos grande, algo de tão sublime que me deixa sem saber refletir sobre esse excelso sentimento que abrange tantos outros.” (Esc. Esp., p. 200)

5 – Jesus Ressuscitado: “Fiquei tão admirada e tão arrebatada ao vê-Lo, que não fiz outra coisa que admirá-Lo, adorá-Lo e amá-Lo sem pensar na Ascenção, nem em Maria, nem no Espírito Santo...  Via e me alegrava cheia de gratidão,  que Ele não pensava mais em meus pecados.” (Esc. Esp., p. 203)

6 – Misericórdia de Deus: “Eu espero sempre em Deus, porque seus benefícios para comigo são infinitos e inteiramente extraordinários; e que o sentimento de seus dons está sempre no meu coração.” (Esc. Esp., p. 209)

7 – Sobre a humanidade: “Penso que sou do número dessas pessoas cujo orgulho não aparece muito, mas, nem por isso, deixa de ser grande... Invadiu-me uma grande esperança de que o Senhor vai ajudar-me a corrigir-me.” (Esc. Esp., p. 210)

8 – Vida Oculta: “No tempo em que eu fazia muitas considerações sobre a vida oculta, aprendi a esconder o que podia atrair a atenção, o que podia induzir os outros a louvar-me, o hábito de queixar-me e de dar atenção sobre a boa ou má opinião que minhas ações provocavam.” (Esc. Esp., p. 211)

9 – O homem é criatura de Deus: “O homem, sendo um ser tão dependente de Deus, é justo, útil e necessário que sirva ao Soberano Ser que o tirou do nada.” (Esc. Esp., p. 229)
10 – A Caridade: “Ver cada uma de minhas Irmãs, como alguém mergulhado no precioso sangue de Jesus Cristo, como uma rel[iquia de Jesus Cristo.” (Esc. Esp., p. 213).


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